A ideia de segregação sócio espacial em primeira instância é a distribuição de diferentes grupos sociais dentro do espaço urbano. Villaça (1999) entende esse processo como o mecanismo através do qual as camadas sociais se concentram em determinadas parcelas no espaço urbano, onde não necessariamente existiria exclusividade ou preponderância. Na análise de Peter Marcuse (apud Torres, 2004), tal mecanismo indica ainda uma dimensão relacional, uma vez que só existe segregação de um grupo à media que outro grupo é forçado a se segregar.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
A Construção dos Espaços Urbanos no Brasil e a Prática da Segregação Sócio-Espacial
No Brasil, a relação centro periferia representa o padrão de segregação mais conhecido de sua sociedade. Neste modelo, os centros, dotados da maioria dos serviços urbanos públicos e privados, são ocupados pelas camadas mais abastadas da população, enquanto que na periferia, sub equipada e longínqua das regiões centrais, viveriam aqueles setores que são econômica, política e socialmente marginalizados (Villaça, 2001). Desta forma, o difícil ou inexistente acesso aos recursos materiais materializados no espaço urbano é expresso pela estrutura urbana o que poderia ser verificado pela localização das residências e da disparidade na distribuição dos equipamentos urbanos de renda e do bem estar social.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Segregação Sócio-Espacial e a Formação do Espaço Urbano em Campos dos Goytacazes
A formação do espaço urbano de Campos dos Goytacazes iniciou-se onde atualmente se encontra a Catedral São Salvador e no seu entorno, localizados na parte mais alta da cidade. Em 1873 com a construção da primeira ferrovia, Campos passou por um forte crescimento da ocupação urbana mais para a sua região oeste. Neste sentido, a importância econômica da cidade de Campos na região associada a interesses políticos resulto em intervenções urbanísticas já a partir do século XX. Neste momento iniciou-se um processo de diferenciação sócio-espacial baseado em dois valores diferentes: 1) "sobre a vida da área central, com incrementos de ações públicas voltadas para a garantia da lógica burguesa de desenvolvimento e progresso e, 2) a desvalorização das áreas periféricas, pela falta de investimentos e ocupação progressiva das classes pobres. Este modo, como ocorreu na formação de toda a malha urbana brasileira, em Campos a ação do Estado terminou por ditar um processo segregação sócio-espacial e da alta concentração de investimentos nas áreas centrais, em detrimento das condições precárias da periferia. Isto naturalmente determinou que as áreas periféricas tenham ficado à parte do processo de modernização que ocorreu na região central da cidade.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
O Quadrado Mágico e a Consequente Segregação dos Outros Espaços da Cidade
Quadrado Mágico é o termo utilizado por Alvarenga e Pedlowski, explicando os constantes investimentos público privado na região da Pelinca.
Nesta pesquisa pretende-se averiguar até que ponto os investimentos públicos e privados no Quadrado Mágico afetam ou não os investimentos em outras áreas da cidade. Percebeu-se que a concentração de serviços nesse espaço é logo perceptível num panorama geral, bancos, hospitais, shopping centers, redes de fast food, entre outros, fazem parte de uma gama de serviços a disposição dos moradores que ali estão instalados. Toda essa infra-estrutura não seria problema se as benfeitorias e acesso aos serviços disponibilizados neste bairro contemplasse toda a população, o que percebeu-se foi que a concentração de investimentos num determinado espaço, obscurece e não contempla outros bairros da cidade no que ser refere aos investimentos por parte do Estado ou da iniciativa privada que voltam seus esforços para áreas mais valorizadas da cidade.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
A Verticalização no Quadrado Mágico
Outra forte conseqüência da concentração de investimentos no interior do Quadrado Mágico foi a ocorrência do acelerado processo de verticalização principalmente em meados da década de 90. Esta verticalização caracterizada por grandes edifícios luxuosos de alto padrão conseqüentemente de uma clientela selecionada e de poder aquisitivo também elevado propiciou um adensamento demográfico significante nesta área em detrimento de uma parcela da população que não consegue custear e manter um padrão de vida tão elevado que ali se estabelece. Este espaço em especial (Pelinca) atraiu e ainda atrai vários investimentos para atender as demandas de uma privilegiada parcela da população. Percebe-se assim que um ciclo vicioso está posto nesta região, onde a verticalização acontece aceleradamente, conseqüência de uma área privilegiada e nobre por circunstâncias já aludidas neste, atraindo cada vez mais serviços para atender as necessidades de uma classe média alta que vê vantagens em se instalar no bairro. Em contra partida, bairros periféricos, carecem de serviços muitas vezes básicos que deveriam ser demandados por parte do Estado e não são, pois o mesmo (Estado) volta sua atenção as áreas centrais evidenciando assim que o próprio Estado contribui para a segregação sócio-espaço.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Comparação entre o bairro da Pelinca (Quadrado Mágico) e o bairro do Parque Prazeres
Percebem-se as disparidades existentes entre os dois bairros de imediato. No bairro da Pelinca, a verticalização é um fenômeno que está posto por todos os lados e a variedade de serviços disponíveis já mencionados anteriormente, fazem do Quadrado Mágico um atrativo para novos moradores e como consequência de uma demanda populacional crescente atraem também cada vez mais investimentos. Em contrapartida no Parque Prazeres a ausência de serviços, e a precariedade da infra-estrutura provam que a segregação sócio-espacial também é um fenômeno recorrente em nossa cidade.
O gráfico abaixo prova as realidades dos bairros mencionados.
O gráfico abaixo prova as realidades dos bairros mencionados.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Considerações Finais
A segregação existe no Brasil desde a chegada da realeza portuguesa, que implicou no desalojamento de várias famílias para que estas servissem de moradia aos que chegavam. Que a segregação existe porque há o capitalismo desenfreado, devido à expansão imobiliária em áreas próximas a regiões valorizadas ora ocupadas por famílias carentes e ausência de uma visão social do poder público e da comunidade deseducada.
Na ideologia mascarada da segregação as melhores áreas devem ser destinadas a grandes empreendimentos os menos afortunados devem ser remanejados para os bairros legais e programas de moradia só que estes deslocamentos muitas vezes são cada vez mais afastados das áreas centrais de interesse especulativo.
Os bairros em análise, apesar das diferenças, percebemos que suas realidades são múltiplas e heterogêneas e cada espaço apresenta suas próprias identidades e contradições que as individualizam. E que devido ao alto padrão de vida que há no Quadrado Mágico, este não contribui para o aumento da segregação sócio espacial.
E que o Estado é um agente de segregação, já que usam instrumentos para regulação do espaço urbano para privilegiar as classes dominantes, enquanto os menos favorecidos continuarão a habitar em áreas distantes do centro, desprovidos dos recursos e serviços.
Podemos dizer que a segregação é originada da visão mercantilista do espaço desprovida de conceitos sociais de valorização da pessoa e de distribuição da riqueza, aliada ao baixo nível educacional que não promove uma discussão mais profunda destas questões que trariam soluções urbanas que envolvam a voz da comunidade. É uma ditadura econômica cuja solução urbana não é a de desenvolver o homem e sua comunidade com equilíbrio de políticas sócio-econômicas, mas sim, empurrar os indesejados e sua pobreza para o mais longe da vista possível, vendendo uma imagem falsa de prosperidade aos visitantes, ao invés de fazer a comunidade crescer e usufruir da riqueza de que participa na construção.
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